mais uma (ý)
confiiram :
Meus olhos se abriram e a luz fraca, mas intensa quase me cegou. Olhei a meu redor e não havia nada além das árvores cobertas com musgo e os pássaros voando, como uma dança, livremente.
Perguntei-me inúmeras vezes “onde estou? Porque vim parar aqui?” Então caiu a ficha, era isso. Eu estava perdida.
Eu andava de um lado para o outro, talvez ainda em círculos, mas, afinal o que eu estava fazendo ali?
A floresta fechada era silenciosa, a não ser pelos grilos e outros insetos cantando em sincronia perfeita. Olhei para cima, mas as árvores me impediam de ver o céu. Olhei a meu redor, mas parecia que eu era a única ali. Ouvi um barulho entre as folhagens a minha esquerda, me virei para onde vinha o som, mas nada vi. O medo tomou conta de mim, o sangue fugiu de meu rosto, meus joelhos cederam e eu caí deitada no chão. Eu queria correr, fugir dali, mas não conseguia coordenar meu corpo a se mover. Minha cabeça girava, e eu não conseguia pensar num motivo plausível para estar ali. E então, senti as gotas da chuva fraca em meu rosto se unindo ao vento, jogando meu cabelo em meu rosto, me cegando. Logo a chuva aumentou, e a névoa falsa em meus olhos começou a ficar densa. Alguém me tire daqui! Eu queria gritar, mas não achava minha voz, ela se fora junto com o vento. O barulho nas folhagens aumentou, mas eu tinha certeza de que não era o vento, havia mesmo alguém ali. Então, um rosnado saiu da garganta da tal criatura que estava ali, mas logo foi diminuindo, como se estivesse correndo para longe, talvez fosse mesmo isso. “Bella? Bella? Bella, você está bem?” OH! Edward! Era impossível não reconhecer aquela voz. “Oh Bella, o que aconteceu? Não. Não. Não! Bella pode me ouvir? Você está bem?” a voz agora suplicante.
- Edward? – eu sussurrei.
- OH! – ele suspirou de alívio – Carlisle? – ele disse mais alto.
Edward tirou meu cabelo de meus olhos e agora podia ver seu rosto perfeito, os olhos cheios de preocupação.
Ele me puxou de leve para me sentar, e vi Carlisle vindo na minha direção.
- O que aconteceu? – perguntou Carlisle.
- Eu não sei – sussurrei, sem forças para falar – eu acordei aqui.
Edward e Carlisle conversavam entre si, mas eu estava exausta e sonolenta. Não conseguia ouvir nem falar nada. Meus olhos me venceram e se fecharam e então senti um vento mais forte do que antes em meu rosto. Edward corria comigo em seu colo até seu carro, graciosamente, para um vampiro. Isso me lembrou Jacob, que mesmo com aquele tamanho enorme, conseguia ser gracioso, como uma criança. Espantei aquele pensamento de minha cabeça, senão começaria a chorar pelo meu ex - melhor amigo.
Então o vento cessou e eu estava mais aquecida. Forcei meus olhos a se abrirem e percebi que estava no Volvo de Edward, deitada no banco de trás. Forcei meus braços contra o banco para me sentar. Edward dirigia enquanto Carlisle estava sentado no banco do carona. Pisquei duas vezes, confusa e fitei a janela escura. Há quanto tempo estive na floresta? Pensei comigo mesma. Edward então se virou para me olhar e sorriu. Retribuí o sorriso, mas vi que seus olhos estavam suplicantes, cheios de perguntas. Ele voltou os olhos para a estrada.
- Bella – Carlisle disse baixinho e me olhou. – Você se sente bem?
Respirei fundo e tentei clarear minha cabeça. Edward me fitava pelo retrovisor.
- S-sim – eu tremia. – só estava tentando descobrir o que era ou de quem era o barulho que eu ouvi na floresta. – eu fitei a janela novamente. Carlisle arregalou os olhos e foi mais rápido que eu.
Ele se virou para Edward e disse com cautela – Edward? – Edward se virou para ele – você sabe o que era?
Edward suspirou e fitou além da janela.
- Era um urso – Ele sussurrou. Eu arregalei os olhos e comecei a tremer mais, mas não era de frio. Era medo. O que? Um urso? Pensei comigo mesma. Então eu estive a metros de distância de um urso que podia estar faminto? estremeci.
- Como você soube? – eu disse, com a voz rouca e trêmula.
- Alice, teve uma visão. – ele bufou.
Depois de um tempo chegamos em minha casa e fiquei me perguntando onde eu havia me perdido para termos demorado tanto a chegar? Subi para tomar banho e Edward me disse que ele e Carlisle ficariam ali explicando – ou melhor, mentindo – para Charlie o que havia acontecido. Entrei no banheiro e fiquei um tempo me olhando no espelho. Eu estava encharcada e suja. Meu cabelo estava completamente embaraçado, pensei em penteá-lo, mas era impossível. Desisti e fui para o chuveiro.
Enquanto assistíamos TV, meu pai pediu uma pizza. Edward e eu não prestávamos atenção no programa. Ele beijava minha boca às vezes, mas de leve – não daríamos um beijo sério enquanto nossos pais estivessem nos observando - Edward e Carlisle saíram antes da pizza chegar, dizendo que Esme já havia preparado o jantar e estava na hora. Eu beijei Edward de suave nos lábios, enquanto Carlisle e Charlie trocavam um aperto de mãos.
À noite Edward, como sempre, entrou pela minha janela, enquanto meu pai roncava no quarto ao lado. Nós conversamos sobre livros, filmes e música. Não tocamos no assunto do que ocorrera hoje à tarde.
Eu bocejei e ele me deu um beijo na testa.
- Acho melhor deixar você dormir. – ele sorriu.
- Tudo bem – eu disse, mesmo não querendo isso – estou exausta pela tarde de hoje – engoli em seco.
- Boa noite, meu amor – ele beijou meus lábios de leve – tenha bons sonhos.
- Eu te amo. – foi a última coisa que eu disse. Ele começou a cantarolar a minha música e eu mergulhei na inconsciência.
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